©
Eu quero chorar, chorar, chorar e chorar e chorar muito e chorar mais e mais e chorar, apenas chorar. Eu quero chorar muito pelo fato da minha coluna estar doendo como nunca doeu e pelo fato dos meus amigos, estes que eu tanto amo, terem me deixado de lado pelo simples fato de eu ter dito que queria paz e liberdade nas costas, como sinal de fuga. Fugir fugir fugir fugir e mais fugir, fugir de você e de todo este erro que foi nossas conversas, fugir da sua presença que ainda mexe comigo, fugir do meu bairro, fugir até do meu país, fugir do planeta, fugir da constelação, fugir da existência humana, fugir e fim. Eu quero chorar pelo fato da solidão ser ainda tão forte quanto as músicas tristes que ouço, pelo fato da solidão ser tão agressiva quanto os jovens revolucionários de meia-tigela do século vinte e um, pelo fato da solidão não dizer nada, apenas ficar aqui sem dizer, meu deus, sim dizer. É horrível não dizer, ficar mudo, não-ser, não-ter. É horrível quando eu falo com as pessoas e elas me olham como se olhassem para um louco alucinado varrido, só porque eu não acho graça em festas e acho um desperdício humano gastar corpo com drogas e álcool. Eu sou o errado? Nessa equação matemática, o resultado não é zero, eu só gostaria de ter mãos que enxugassem tantas lágrimas e ainda nem é madrugada. Chorar e chorar e chorar pelas pessoas que amo serem tão superficiais a ponto de se sentirem felizes mesmo sabendo que elas se traem, se magoam, se ignoram. É muito pouco amor pra tanta gente que diz amar. E eu não vejo nem sinto este amor. Eu não consigo apalpar este amor que cobra demais e este que machuca demais, eu só queria chorar e fugir e ficar comigo e com meus livros por, sei lá, duzentos anos, ou quinhentos anos, não sei. Um lugar onde não houvesse tanta dor acumulada e tanta ausência para ser suprida. Um lugar onde o sangue não escorresse com tanta facilidade e minhas mãos não doessem por eu escrever tanto. Um lugar sem obrigações, opiniões e medos. Chorar, chorar, fugir, fugir. A liberdade que carrego nas costas ainda não voou comigo para longe.
- Floresinexatas, i’m sad.  (via severinar)
Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece.
- Clarice Lispector (via c-a-n-a-r-i-o)
Os homens, geralmente, julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, pois todos sabem ver, poucos sabem sentir. Todos vêem a tua aparência, poucos sentem o que tu és.
- Nicolau Maquiavel (via dialetico-passarinho)
Vivemos esperando dias melhores, dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás.
Vivemos esperando o dia em que seremos melhores, melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo.
- Jota Quest.   (via encant-o)
Vocês podem calar a minha voz, mas não os meus pensamentos! Vocês podem acorrentar o meu corpo, mas não a minha mente! Não serei plateia desta sociedade doente, serei autor da minha história! Os fracos querem controlar o mundo; os fortes o próprio ser! Os fracos usam as armas, os fortes as ideias.
- Augusto Cury (via 60milanos)
Tremo pelo frio que não cessa com a chama de uma lareira ao lembrar do indigente que abandonei à marginal da avenida. O pranto é consequência das lágrimas que foram retidas na retina e tiraram a visão e noção de realidade. O mundo não é um bom lugar para mim. Grito como resultado das palavras entaladas na garganta, clamando para sair, mas que nunca passarão de um protesto silencioso e inofensivo. Todas minhas dores são eufemismos para as mazelas que não vivo. Não morro de fome e meu estômago dói pelas crianças africanas. Assim como não faço nenhum esforço, e meus braços doem para cada criança tailandesa que já carregou uma arma. O mundo é redondo demais para mim. Prefiro lugares com arestas, para me esconder e encolher entre as paredes e dividir um pouco do peso com os personagens da minha mente. E morro ao ver nas minhas mãos o sangue dos animais abandonados que não abriguei, as lágrimas do pai de família desempregado que não auxiliei, a alma do suicida que não escutei. Choro todas as noites pelas milhões de pessoas que tem que ser fortes o suficiente para não demonstrarem dor. No conforto do meu lar sou apenas um pseudo-revolucionário do século XXI, participando de abaixo-assinados que nunca vi o resultado e doando via telefone para alguma causa social a moeda que não me pesou conquistar. Mas o melhor que faço é lamentar, tomar a dor do próximo e chorar. Meu pranto é minha contribuição para melhorar o mundo, pois não consigo levantar e fazer alguma coisa útil enquanto a maioria destrói tudo.
- Severinar (via dialetico-passarinho)
Sempre admirei o vilão, o fora da lei, o filho da puta. Não gosto dos garotos bem-barbeados com gravatas e bons empregos. Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que me interessam. Sempre cheios de surpresas e explosões. Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas. Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os emprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade.
- Charles Bukowski.   (via anarquismos)
Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa. Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio.
- Martha Medeiros. (via quedoceseja)
Estamos, meu bem, por um triz. Pro dia nascer feliz.
- Barão Vermelho (via anarquismos)
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada.
- Rosa de Hiroshima, Vinícius de Moraes.    (via anarquismos)
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
- Fernando Pessoa [Álvaro de Campos] (via quedoceseja)